Música
electrónica (português europeu)
ou
Música eletrônica (português
brasileiro) é toda música que é criada ou modificada através do uso
de equipamentos e instrumentos electrónicos[1],
tais como sintetizadores,
gravadores digitais, computadores ou softwares de composição. A forma de composição é geralmente
intuitiva e muitas vezes pode ser feita até mesmo por pessoas com
pouca experiência musical. Os softwares são desenvolvidos de forma a facilitar a
criação.
Por sua história passou de uma vertente da
música erudita (fruto do
trabalho de compositores visionários) a um elemento da
música popular, primeiramente
bastante relacionado ao rock
e
posteriormente discernindo-se como um gênero
musical próprio (principalmente relacionado com a música
popular nos sub-estilos considerados dançantes tais como o
techno, acid, house, trance e drum 'n'
bass, desenvolvidos a partir do auge da música
disco no final da década de
1970). Actualmente existem várias ramificações do estilo,
tanto eruditas como populares.
Originalmente relutada por ter sua tecnologia evoluída
muito mais rapidamente que sua estética, só passou a
ter princípios e tradição após a Segunda Guerra
Mundial[1], com o trabalho de franceses na
música concreta e de alemães na
Elektronische Musik.
Minimoog Voyager, um sintetizador
analógico
Devido à
complexidade em compor com um sintetizador ou computador, a maioria
dos compositores continuava a explorar a música eletrônica usando
o música concreta ainda na década de
1960. Mas como tal estilo não era gracioso, alguns
compositores iniciaram pesquisas para melhorar a tecnologia nesse
sentido, levando a três times independentes buscando o
desenvolvimento do primeiro sintetizador pessoal.
O
primeiro desses sintetizadores foi o Buchla, aparecido em 1963, produto do trabalho
do compositor Morton Subotnick. Outro sintetizador foi o criado
por Robert Moog[15], sendo o primeiro a usar um teclado
ao estilo
de piano. Em 1964 Moog convidou o compositor Herb Deutsch
para
visitar seu estúdio em Trumansburg. Moog já havia
encontrado-se com Deutsch um ano antes, ouvido sua música, e decido
seguir a sugestão do compositor para a construção de módulos para
música eletrônica. Na época de visita de Deutsch, Moog já havia
criado protótipos de osciladores controlados, equipamento que
Deutsch usou por um tempo, e posteriormente Moog criou um filtro
controlado por voltagem. Moog então foi convidade para a
Convenção AES em Nova Iorque no qual apresentou o artigo "Electronic Music
Modules" e vendeu seu primeiro sintetizador ao coreógrafo
Alwin
Nikolais.
Em 1964, Stockhausen compôs Mikrophonie I para tam-tam,
microfones de mão, filtros e potenciômetros. No ano seguinte foi
composta Mikrophonie II para coro
órgão
Hammond e moduladores.
Música eletrônica dançante
O estilo
passou então de uma mera ferramenta para os músicos diversificarem
e desenvolverem novos sons e timbres musicais apoiando-se em outros
estilos musicais para ganhar uma cena própria. Com o sucesso
da música disco, que atingiu seu auge entre 1977
e
1979
em parte
devido ao filme de 1977 "Saturday Night Fever", a
década de
1980 e décadas seguintes na música eletrônica foram marcadas
pelo surgimento da música eletrônica dançante, levando ao
desenvolvimento de novas ramificações como o techno, o house e o trance. A música eletrônica torna-se a partir
de então, além de um estilo musical, um estilo de vida marcado
pelas raves (eventos sociais
de elevação de consciência baseados em música eletrônica[20])
e pelos DJs
(músicos
que utilizam instrumentos musicais eletrônicos para executar
composições).
O
desenvolvimento do techno
em Detroit
e
house music em
Chicago
na
década de
1980, além do acid
house no Reino Unido
no início
da década de
1990 aceleraram o desenvolvimento e a aceitação da música
eletrônica na indústria da música, introduzindo a música eletrônica
dançante às casas noturnas. A composição eletrônica pode seriar
ritmos mais rápidos e precisos que os criados pela percussão
tradicional, além de oferecer a possibilidade de misturas
e adição de outros elementos como instrumentos
musicais tradicionais e vocais. O estilo desenvolveu-se de tamanha maneira a
tornar-se comercialmente acessível que mesmo artistas
pop
chegaram a
compor usando o estilo, como o álbum Ray of
Light da cantora estado-unidense Madonna. Destaque para os álbuns Music for
the Masses de Depeche
Mode e Power,
Corruption and Lies de New
Order, que se tornaram álbuns chaves no desenvolvimento da
música eletrônica em geral.
- Raves
Um
elemento importante para o desenvolvimento da música eletrônica
dançante foi o desenvolvimento das raves. Tais festas de música eletrônica
começaram como uma reação às tendências da música
popular, a cultura de casas
noturnas e o rádio
comercial.
Seu objetivo primordial era a interação entre pessoas e elevação da
consciência (uma fuga da realidade) através de diversas formas de
arte. A música eletrônica teve papel fundamental em tais festas na
medida que proporciona através das batidas repetitivas e
progressivas um efeito hipnótico nos participantes, potencializado
pela utilização de entorpecentes. A partir do desenvolvimento do
estilo eletrônico na década de
1980 foram promovidos eventos em regiões rurais destinados a
reunião de pessoas, dança e utilização de ecstasy. De forma análoga, o movimento
hippie da década de
1960 pregava a reunião das pessoas e a utilização de drogas
(especialmente o LSD) como forma de elevação de consciência. Mesmo com
a reação negativa da mídia em relação a tal cultura o estilo foi se
desenvolvendo, resultando em um estilo de vida para os
participantes. Outros gêneros musicais presentes em raves
incluem o drum and bass e
a música
ambiente. A partir do final da década de
1990 o termo caiu em desuso pelos seus participantes na
Europa
devido à
massificação e desvirtualização do uso.
- Acid e drum and bass
O
acid house foi um estilo
derivado da house music
levado para o Reino Unido
no final
da década de
1980 para tornar-se parte integrante da cultura local de
raves. Foi amplamente dependente do sintetizador e sequenciador Roland
TB-303, o que tornava seu som bastante característico. O
acid foi uma das maiores influências para a criação do
drum and bass (originalmente
conhecido como jungle até por volta de 1995), um estilo de música eletrônica dançante
caracterizado pela batida rápida e pesada ("seca") da bateria, com
a presença marcante do baixo. Um dos maiores divulgadores do estilo foi o
DJ britânico
Goldie[21]. Outro DJ relevante ao drum and bass
é o brasileiro
Marky, um ícone da música eletrônica no país. Sendo
considerado um renovador do estilo no final da década de
1990, Marky também é reconhecido no Reino Unido, terra natal
do jungle.
- Trance
Outra
vertente da música eletrônica dançante é o trance. Apesar de suas origens datarem desde
a década de
1970 com artistas como Klaus
Schulze, foi a partir de artistas de acid house
que acabou
ganhando uma cena própria, com a cena techno da Alemanha
no início
da década de
1990; Frankfurt
é
geralmente referenciada como o berço do estilo. No mesmo período
desenvolvia-se em Goa, Índia, outro movimento da cena eletrônica baseado
no EBM, o Goa trance,
influenciado pela cultura da Índia e pela
música psicadélica da década de
1960. O gênero foi migrado para a Europa
em
Londres, desenvolvendo-se de forma a ramificar-se no que
atualmente chama-se trance psicodélico. A partir da década
de 1990, o desenvolvimento para um trance
melódico e comercial possui como expoentes compositores como Paul
Oakenfold e Paul van Dyk. Tais artistas foram tornando-se cada vez
mais aceitos comercialmente, confundindo a música eletrônica com a
música pop.

Trance
psicadélico (português europeu) ou trance
psicodélico (português
brasileiro) (referido ainda como psy
trance) é uma forma de música
eletrônica desenvolvida no fim dos anos 1980
em
Israel a partir do Goa
trance (da Índia , Goa). Este estilo tem uma batida rápida,
entre 135 e 165 batidas por
minuto (bpm), além da batida forte de kick, num compasso 4x4,
que algumas vezes difere da batida do techno
por ter um
alcance de freqüência um pouco mais alto além dos sons graves.
O Goa trance original geralmente
era feito com sintetizadores modulares e samplers
de
hardware, mas a preferência no trance psicodélico se direcionou
para a manipulação de samples e armazenamento em programas de
sampleamento VST e AU. O uso de sintetizadores analógicos para a
síntese sonora deu lugar aos instrumentos "analógicos virtuais"
digitais como o Nord Lead, Access Virus, Korg
MS-2000, Roland JP-8000 e os plugins de computador VST e AU como o
Native Instruments Reaktor. Esses geralmente controlados por um
sequenciador MIDI dentro de um programa de Digital Audio
Workstation (DAW). O trance psicodélico é freqüentemente
tocado em festivais ao ar livre(longe
de grandes centros urbanos), que podem durar vários dias, com a
música tocando 24 horas por dia.